sexta-feira, 22 de abril de 2011

Pesquisa: falta de mão de obra e burocracia limitam expansão de empresas


A disponibilidade de mão de obra qualificada é um dos principais fatores que limitam a capacidade de crescer e expandir os negócios das empresas brasileiras. A informação consta no International Business Report 2011 da empresa de auditoria e consultoria Grant Thornton. Segundo a avaliação, não contar com mão de obra qualificada é um desafio para 49% dos ouvidos.
As regulações e a burocracia imposta às empresas também são bastante citadas, com 52% das respostas. Na comparação com a pesquisa realizada no ano passado, a ausência de trabalhadores qualificados na quantidade desejada é um problema que cresceu 19% no número de respostas, enquanto a burocracia e as regulações cresceram 15%.
Tanto a questão da mão de obra quanto o tópico burocracia são mais citados pelos empresários brasileiros do que na média dos executivos ouvidos em outros países da América Latina e do restante do mundo.
A escassez de mão de obra qualificada disponível é citada 37% dos executivos na Argentina, 38% no México, 25% na Alemanha, 20% nos Estados Unidos e 17% no Reino Unido. Na Índia, no entanto, o problema também preocupa muito o empresariado: 51% dos executivos ouvidos apontaram a falta de trabalhadores capacitados como preocupação. Esse item apresentou o maior crescimento da última pesquisa para a atual (7% na média global).
"As empresas terão que começar a criar alternativas para suprir essa carência de mão de obra, qualificando e investindo na preparação de profissionais que estão ingressando no mercado, com cursos e treinamentos. Sem isso, pode haver um encarecimento muito grande desse tipo de mão de obra e recrutamento de profissionais do exterior", comenta o diretor de marketing e comunicação para America Latina de Grant Thornton, Javier Martínez.


Burocracia

Já quanto à preocupação com as regulações e a burocracia, o Brasil lidera. Enquanto 52% dos executivos brasileiros colocam esse tópico como um dos principais limitadores da capacidade de crescer e expandir negócios, ele chega a 39% na Argentina, 28% no México, 30% na África do Sul e apenas 20% na Espanha. Na Índia, o índice alcança patamares semelhantes ao brasileiro: 47% das respostas
"A burocracia continua sendo a maior preocupação dos empresários brasileiros quando falam sobre crescimento ou expansão. O Brasil ainda é um dos países com maior número de trâmites por fazer e os empresários precisam, num mundo digital, de rápida movimentação e menor quantidade de tempo investido neste tópico. O Brasil tem que liderar os mercados emergentes nesta categoria também", opina Martínez.
No Brasil, o terceiro tópico mais citado pelos executivos foi o custo de financiamento, que contou com 28% das respostas. Esse item também foi bastante lembrado pelos empresários de outras nações. Na Argentina, por exemplo, o custo de financiamento lidera a preocupação quanto à limitação para crescimento dos negócios, com 52% das respostas. No México, com 29% das respostas, esse tópico é o segundo mais citado, assim como na Alemanha, onde conta com 27% das lembranças, e na China, com 36%.

Segundo os executivos brasileiros ouvidos pela pesquisa, a menor preocupação é com a diminuição de pedidos ou redução de demanda, apontada por apenas 10% dos ouvidos. A infraestrutura em tecnologia da informação também teve indicadores menos expressivos: 16% no País.

Siga os posts do Administradores no Twitter: @admnews.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O diferencial está no design


Em datas especiais é comum vermos centenas de produtos em embalagens extremamente elaboradas e bem feitas. Tudo para valorizar o produto, aumentando seu valor agregado e possibilitando um destaque maior no ponto de venda. Logicamente, aumentando cada vez mais a percepção do consumidor.

Com o crescimento econômico do país, é possível observar um aumento significativo das empresas que investem mais nesse setor. Segundo a ABRE (Associação Brasileira de Embalagens), o setor cresceu 10% em 2010. Isso é uma clara demonstração de que as empresas descobriram que para ganhar o consumidor, não adianta somente um produto de qualidade, mas também é necessário investir em boas embalagens.
Sabemos que a maior parte da decisão de compra acontece no ponto de venda. E essa é a hora mais importante em todo o processo. Por isso, é necessário avaliar alguns aspectos sobre a embalagem dos seus produtos:
- A marca - Deve estar sempre em destaque, identificando qual é o produto e a quem pertence. Dessa forma, o consumidor assimila todas as informações contidas na embalagem com a marca do produto.
- Avalie formatos - Eles podem ser decisivos para a decisão da compra. Embalagens bem pensadas, possibilitam melhor acondicionamento em armários e também tem fácil manuseio;
- Cores - Elas devem estar dentro do conceito do produto. Higiene e limpeza devem sempre buscar tons claros, sóbrios que remetam a sua função. Alimentos devem despertar a fome utilizando combinação de cores quentes.
- Materiais - Embalagens recicláveis e que agridam menos o meio ambiente tendem a levar vantagem. Como o apelo ecológico ganha força a cada dia, é importante desenvolver também produtos dentro desta nova tendência.
No mundo atual, de alta competitividade entre as empresas, qualquer fator que determine um diferencial deve ser avaliado com muita atenção. Fabricar um produto e fazer com que ele chegue à mesa do consumidor é um processo dominado pelas empresas.

Portanto o diferencial está na "cara" que seu produto tem e como ele se apresenta para seus clientes. O design é uma peça fundamental dentro da estratégia de venda e que precisa sempre ser levada em consideração, pois é ele que tem a capacidade de fazer com que um produto bem feito se mostre de forma correta para o mercado.

Eduardo Przybylski - é designer de informação da dBrain, agência especializada em marketing de canais. Contatos: eduardo@dbrain.com.br/ www.dbrain.com.br


Siga os posts do Administradores no Twitter: @admnews.
http://www.administradores.com.br/informe-se/marketing/o-diferencial-esta-no-design/44101/

10 qualidades indispensáveis para um bom profissional


A economia está mais pujante e, por isso, o mercado ficou mais exigente. Atender as expectativas dos empregadores hoje requer qualidade, esforço e dedicação. Ou seja: ter uma boa formação, inclusive continuada; estar disposto a correr atrás dos seus objetivos e comprometer-se a buscar os melhores resultados para a empresa.
"As exigências sempre vão ser muitas e vão aumentar. É um esforço constante, mas que tende a ser recompensado no final", afirma Marcelo Abrileri, presidente da Curriculum e especialista em recolocação profissional.
O executivo lembra também que a melhor hora de buscar um novo emprego é quando se está trabalhando e que o mercado de trabalho está repleto de oportunidades.
Abrileri indica as principais qualidades que o profissional precisa ter para conquistar espaços e se garantir no mercado. Confira abaixo.

1 Capacitação técnica específica
Esta continua sendo a principal e fundamental exigência. Se você não estiver apto a exercer bem a função que pleiteia, dificilmente conseguirá conquistar a vaga. Uma boa formação, cursos adicionais, experiência na função são importantes na hora de competir por uma vaga de trabalho.

2 - Visão global

Além de ser bom no que faz, é importante que você compreenda quais os impactos de sua parte sobre o todo. Ter uma visão global ajuda na comunicação em geral, tanto com pares como superiores ou subordinados.

3 - Estar bem informado


Vivemos hoje na sociedade da informação. Quem é munido de conteúdo sempre sai na frente. Nada melhor do que conversar com alguém que sabe o que está acontecendo sobre a função que exerce. Você deve ser o ponto de referência na empresa quando o assunto estiver relacionado à sua área. Agora, se puder também se informar sobre atualidades, economia, lazer, artes, esportes, internet, negócios, entre outros assuntos, melhor ainda. Você se torna alguém bem mais aberto e com muito mais possibilidade de interagir com outros da companhia. Mas não se esqueça: o principal conhecimento que você deve ter é relacionado à sua área de atuação

4 - Facilidade com tecnologia

O computador e a internet são hoje ferramentas fundamentais de trabalho e comunicação. Quem interage bem com estas tecnologias e tem familiaridade com elas tem uma grande vantagem competitiva.

5 - Internet e redes sociais
Quem navega bem na internet e utiliza as redes sociais de maneira correta sabe como tudo isso pode ajudar para se informar, encontrar respostas e resolver problemas, e da mesma forma ganha pontos frente aos demais concorrentes.

6 - Idiomas (inclusive um bom português)


Num mundo cada vez mais globalizado, ter conhecimento de outro idioma é muito importante, principalmente o inglês. O Brasil ainda é um país que carece de pessoas que tenham domínio sobre outras línguas. Quem tem conhecimento em inglês e espanhol tem ainda mais vantagens. Mas lembre-se: saber bem o nosso português, por mais óbvio que seja, faz muita diferença.

7 - Educação continuada
Workshops, cursos de curta duração, palestras e pós-graduação, entre outros, sempre será algo valorizado pelas companhias. Mas não aja de modo a apenas colecionar diplomas. Conhecimento é muito valioso, portanto empenhe-se e realmente aproveite as oportunidades para aprender e crescer como pessoa e profissionalmente.
8 - Trabalho voluntário
Ter no currículo experiências como voluntário mostra que você é um profissional preocupado com valores importantes. Ações como essa não são apenas bem vistas no âmbito profissional, mas amadurecem o ser humano.
9 - Elegância e cordialidade
Essas qualidades podem ser mostradas em diversos aspectos – na maneira de se vestir, em como falar, nas atitudes. Ser elegante e cordial sempre atrai. Tais características ajudam a conquistar e demonstram maturidade e simpatia. Todos querem estar ao lado de pessoas agradáveis.
10 - Bons valores
Caráter e valores têm sido mais valorizados pelos recrutadores. Às vezes são naturais e nascem com a pessoa, são do interior dela, outras vezes são aprendidos em casa, mas também podem ser cultivados através da percepção e da valorização correta destas qualidades. Qualquer que tenha sido a forma de absorvê-los, o importante é ter bons valores. Com eles você se torna não apenas um bom profissional, mas um ser humano exemplar e de bem com a vida.

Siga os posts do Administradores no Twitter: @admnews.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Respeito ao cliente


Encantar o cliente, eis ai o lugar comum de quaisquer organizações. Ou seria fidelizar o cliente, isto é, capturá-lo para os interesses das organizações. Ah, não! é preciso colonizar o cliente, isto é, colocá-lo cada vez mais a serviço da organização, e, ainda, fazê-lo pagar mais por isso.

Há um tema que sempre vêm à baila nos congressos, simpósios, colóquios ou seminários de administração: o respeito ao cliente.
Estranhamente, as organizações tentam transformar o respeito ao cliente num valor moral.

É evidente que o respeito ao cliente é, no máximo, um valor profissional, uma diretriz empresarial, ou mesmo uma linha estratégica a ser apoiada e estimulada no mundo das organizações e no universo da sociedade.
É um valor empresarial perfeitamente compreensível no código de ética de uma indústria ou de uma loja de comércio, como parte integrante do plano de negócios e da ação estratégica, tática e operacional de qualquer organização, seja pequena, média ou grande, pia ou lucrativa.

Mas daí a erigir o respeito ao cliente como um valor moral da organização vai uma enorme distância.
Isto é absolutamente bizarro, para não dizer esdrúxulo. Eu não encontro correspondência do respeito ao cliente como um valor moral em nenhum lugar nos grandes textos religiosos, na Bíblia, no Alcorão, nos textos de Buda, na Torah, em quaisquer dos textos canônicos, muito menos nos textos filosóficos de Espinosa, de Montaigne, de Rousseau, de Kant, ou nos enciclopedistas, nos iluministas, nos filósofos gregos, enfim, em quaisquer dos grandes pensadores da humanidade.

O que sempre vejo nesses textos não é o respeito ao cliente. É o respeito ao próximo.


Vocês dirão: mas o cliente não é o próximo? Claro que não. Pelo menos, não é um próximo qualquer. É um próximo que pode pagar, solver as suas contas, que tem um perfil de renda, que "vale uma nota", que dispõe de poder de compra, que pode barganhar, que pode escolher o que e de quem comprar, que pode ou não ser fidelizado em suas compras e em suas preferências.


É evidente que não devemos – aí sim um valor moral – circunscrever moralmente o nosso grau de respeito ao próximo à sua capacidade de pagamento, ao seu perfil de comprador, ao seu nível de renda.
O respeito ao cliente é apenas e tão-somente um valor empresarial legítimo, que pertence ao mundo do marketing ou à área de vendas, ao regulamento da empresa, ao seu plano de negócios, ao seu código de conduta. E é apenas isso, o que já é muito bom. Jamais é um valor moral, como muitas organizações empresariais, pretensiosa e equivocadamente, pretendem apresentá-lo.
Ora, se a ação empresarial busca, em essência, o lucro, por que meter a moral no meio?

O respeito ao cliente é um valor empresarial, aliás, elogiável. Pode ser um valor profissional ou um valor deontológico. Mas, de forma alguma, é um valor moral para a organização.
O respeito ao próximo, este sim é um valor moral.

O respeito ao próximo pertence estrita e unicamente à consciência de cada um, na plenitude da realização do indivíduo e da pessoa como um ser moral.

O respeito ao próximo não pode ser um valor moral empresarial, porque é contaminado pelo interesse da empresa, o que por si só o desqualifica como valor moral, que deve se fundamentar no universalismo e no desinteresse.

A ação moral reside na atitude ao mesmo tempo desinteressada e orientada não para o interesse particular, mas para o bem comum e universal. Isto é, de forma mais direta, para o que não vale e é bom apenas para a empresa, mas também para todos os outros. São essas as duas pedras angulares da moral para Kant*– o desinteresse e a universalidade.

Imaginem se um empresário qualquer pode aceitar que um vendedor faça os interesses do cliente prevalecerem sobre os interesses da loja para a qual trabalha, a ponto de indicar a loja do concorrente para o cliente comprar os produtos que deseja.
É preciso insistir no ideal do bem comum, na universalidade e no desinteresse das ações morais, assim entendidas como a superação dos exclusivos interesses particularistas de uma empresa em relação aos seus clientes.

wagners@attglobal.net

www.wagnersiqueira.com.br

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Gislaine Rossetti: ‘A comunicação no setor químico é desafiadora’

Gislaine Rossetti, diretora de comunicação social da BASF para a América do Sul, esteve no lançamento oficial do Ano Internacional da Química, em Paris, no dia 27 de janeiro. Um dos objetivos da celebração é encorajar o interesse pelo tema entre os jovens e promover um entendimento mais profundo sobre a contribuição da química à sociedade. A executiva constatou as tendências para o setor químico nos próximos anos: “A agenda do evento foi intensa e repleta de discussões sobre como as empresas estão operacionalizando as soluções químicas para os desafios globais”, conta.

Nessa entrevista ao Nós da Comunicação, Gislaine comenta os projetos de comunicação em 2011 para registrar os 100 anos da empresa no Brasil – além dos 50 anos da Suvinil – e fala do constante desafio de comunicar a marca de uma indústria química.

Nós da Comunicação – Qual a participação da BASF nas celebrações do Ano Internacional da Química (AIQ) pelas Nações Unidas?
Gislaine Rossetti – A BASF é uma das patrocinadoras globais dessa comemoração promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e pela União Internacional da Química Pura e Aplicada (IUPAC). Esse é um momento essencial para as indústrias e instituições refletirem sobre a importância da contribuição sustentável da química para suprir as demandas da sociedade. No lançamento oficial do AIQ, em Paris, em 27 de janeiro, a agenda foi intensa e repleta de discussões sobre quatro megatendências: Nutrição & Saúde; Construção & Cuidados com o Lar, Energia & Recursos; além de Mobilidade & Comunicação. Foi um evento com enfoque acadêmico, mas também havia empresas que compartilharam como estão operacionalizando as soluções químicas para esses desafios globais. Alguns pontos muito importantes debatidos incluíram a questão da água, uma preocupação de todas as nações; saúde, no sentido da contribuição das indústrias no combate às doenças; energia, na busca de soluções para o futuro; além dos aspectos econômicos e sociais, focando no desenvolvimento sustentável e nas novas responsabilidades das indústrias.

Nós da Comunicação – Qual o projeto de comunicação em 2011 para registrar os 100 anos da BASF no Brasil e os 50 anos da Suvinil?
Gislaine Rossetti – Temos algumas ações que marcam os 100 anos da BASF. Estamos escrevendo um livro comemorativo sobre a contribuição da química para a sociedade, lançamos um site interativo e firmamos uma parceria com o jornal ‘Valor Econômico’ que está divulgando publieditoriais semanais sobre esse mesmo tema, grande mote do nosso projeto ‘A Caminho dos 100 anos’. Nele, estão incluídas as megatendências, também alinhadas às soluções da empresa. Outra parceria foi com a Orquestra Sinfônica Brasileira, que vai culminar em um concerto exclusivo para clientes, em maio.

Nós da Comunicação – Quais são as grandes dificuldades de trabalhar o branding de uma empresa química?
Gislaine Rossetti – Ainda é um grande desafio por causa do passivo de imagem negativa de muitos anos. Para uma empresa centenária como a BASF, esse passivo cobre basicamente toda a existência da organização. Por exemplo, a primeira área de comunicação da empresa, a de Relações Públicas, foi criada há 50 anos, e só há 20 anos as ações de comunicação corporativa começaram mais fortemente. Nessa ocasião, começamos a falar de conceitos mais científicos de comunicação como cadeia de stakeholders, percepção e construção de imagem. No passado, a química não era vista como algo benéfico. Inclusive, a educação para química que recebemos na escola não ajuda. Geralmente, é retratada como algo que explode, que pega fogo em um laboratório. O principal target do AIQ é a criança de 5 a 14 anos e um das temáticas é mostrar que bem feita, a química é benéfica.


http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna.asp?panorama=391&tipo=E

Sandra Maia: ‘É papel do profissional de comunicação criar canais para que toda a organização fale a mesma língua’

Para a profissional de relações públicas Sandra Maia, diretora de Experiência, Marketing e Vendas do Rio Quente Resort – localizado em Rio Quente, em Goiás – para ser eficiente, um planejamento de comunicação precisa estar alinhado às atitudes dos colaboradores e fornecedores de uma organização. “Ninguém faz comunicação sozinho”, ressalta a autora do livro ‘O Negócio da Comunicação – Do conceito à ação’ (Qualitymark).

Formada em Comunicação, com pós-graduações em Administração de Marketing e especializações em técnicas de negociação, Sandra já atuou em companhias como Philips, Cia. Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) e Nestlé. No setor hoteleiro, já trabalhou na Accor Hotels, respondendo pela comunicação corporativa da rede para a América Latina, e na Blue Tree Hotels Brasil e Argentina.

Em entrevista ao Nós da Comunicação, a executiva comenta alguns temas abordados em seu novo livro, como o ‘Diagnóstico de Comunicação Conceitual’, mecanismo utilizado para alinhar as estratégias ao DNA da marca, além de indicar a função da comunicação para manter um bom clima organizacional. “É papel do profissional de comunicação criar canais para que toda a organização fale a mesma língua, atue dentro de um mesmo padrão de harmonia, compromisso e envolvimento”, analisa.

Nós da Comunicação – Hoje não basta apenas vender um produto ou serviço, é preciso encantar o cliente através da experiência com a marca. Quais os desafios para um profissional que trabalha com experiência em Marketing?
Sandra Maia – Atuar em diferentes frentes e usar e abusar de tudo o que é sensorial: cheiros, sons, imagens etc. Adoro, por exemplo, o que a grife Abercrombie & Fitch faz no mercado norte-americano. É simplesmente genial. Consistente, coerente e acima de tudo – conceitual. Sua estratégia de comunicação e marketing está toda dirigida ao público teen – mas acaba atingindo a todos. Quem não quer uma calça ou camisa comprada na 5ª Avenida, em Nova York, reduto da marca nos Estados Unidos? O que eles fazem? Limitam a oferta, contratam funcionários jovens e lindos, transformam o ponto de venda numa ‘disco’ sem nada a dever para as melhores ‘baladas’ da garotada e, lançam coleções sistemáticas com o símbolo que – tinha tudo para dar errado, mas é um charme. Comprar na Abercrombie se tornou ‘a’ experiência. Vale ressaltar, de saída, que ninguém faz comunicação sozinho. Dependemos de parceiros, funcionários, fornecedores e gestores que tenham clara e objetivamente a visão do negócio, a missão da marca, os valores e atributos de seus produtos e serviços.

Nós da Comunicação – Do ponto de vista do gestor, quais as barreiras encontradas nos bastidores da comunicação corporativa? E como superá-las?
Sandra Maia – Morosidade na aprovação de processos e projetos, a percepção errônea de que qualquer um pode fazer comunicação e, talvez a pior: esquecer-se de que tudo comunica. A forma de mudar isso? Relacionamento, comunicação, envolvimento e compromisso – trabalhar em como vender a proposta. Como torná-la viável na linguagem da organização – a relação entre investimento e retorno sobre investimento, prazo para implantação, impacto no meio, vantagens e desvantagens com relação à concorrência etc.

Nós da Comunicação – Você já atuou em diferentes setores: hoteleiro, público e privado. Qual deles você considera o mais complexo no que diz respeito ao relacionamento com stakeholders?
Sandra Maia – Todo relacionamento é complexo. Não importa o segmento em que se atua. Falar com stakeholders sempre será um desafio. A questão é como ajustar o discurso para que todos dentro da organização possam estar em sintonia e, dessa forma, facilitar a vida do comunicador. Talvez essa ainda seja a questão. Não adianta discurso sem atitude, nem responsabilidade sem sustentabilidade, tampouco qualidade sem levar em conta o que importa para o cliente ou o consumidor. A marca, afinal, está lá fora, sendo construída por todos, em todos os pontos de contato. Por isso, falar com stakeholders exige planejamento, estratégia, foco e linguagem direta. Demanda ser o exemplo, ou seja, o discurso tem que estar vinculado ao que se entrega, seja como e quando for.

Nós da Comunicação – Em que consiste o Diagnóstico da Comunicação Conceitual, considerado, por você, uma 'revolução no mercado corporativo'?
Sandra Maia – O Diagnóstico da Comunicação Conceitual leva em conta que tudo deve girar a partir de um centro, de um conceito, para que o alinhamento das pontas se torne mais possível. Imagine todos trabalhando e fazendo o seu melhor em uma empresa. Imagine agora que esse melhor não contribui para a construção da marca. Ás vezes, pode até contribuir para o crescimento e destaque de uma ou outra área, mas não para o todo. O ‘Comunicação Conceitual’ está, por isso, embasado em conceitos. Ou seja, depois de definido o conceito, o DNA da marca, é preciso traçar a forma da comunicação, seja ela digital, eletrônica, impressa ou outra, de forma mais sustentável. Alinhar web, relações públicas, imprensa, publicidade, CRM etc. fica muito mais simples.

Nós da Comunicação – A manutenção do clima organizacional requer constante atenção por parte dos gestores. Qual o papel que a comunicação exerce nesse processo?
Sandra Maia – A comunicação exerce o papel de catalisador e gestor das informações que fazem do negócio o que é. Ou seja, é papel do profissional de comunicação criar canais para que toda a organização fale a mesma língua’, atue dentro de um mesmo padrão de harmonia, compromisso e envolvimento ao lado dos profissionais de RH e, eventualmente, RP.

A comunicação, nesse sentido, impacta na cultura que se quer criar e estabelecer. Se deixarmos essa questão vital, de lado, todos sofrem. A comunicação com formadores de opinião se torna oca, sem repercussão. Não ressoa ou contribui para a construção e consolidação de marcas fortes.


http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna.asp?panorama=392&tipo=E